sexta-feira, 2 de maio de 2008

Tarde para o arrependimento

Sou um louco na tua loucura,
embriagado nas tuas palavras,
que já não alimentam os meus versos
fartos do teu desejo de ternura.

Sou um mar sem qualquer ondulação,
que se esconde nas sombras do medo,
e refugiado pela tristeza do meu coração,
que se vislumbra nas profundezas do teu degredo.

Numa noite ofuscada pelo luar,
distancia-se de qualquer amanhecer,
despojado do sol que jamais o vimos brilhar,
desvanece-se nesse dorso envenenado pelo teu ser.

Em ti sou inverno cruel e frio,
que gela todo esse mundo devastado
pelo teu tardio arrependimento,
que jamais sobreviverá no lento
sofrido do teu impiedoso tormento.

Ricardo Barnabé

São rastilhos que acendes

São rastilhos que acendes
é um fogo imundo que nasce
numa chama que te queima
e um anjo que nos céus te condena.

Palavras confusas que se brotam
letras perdidas que te esquecem
meu perdão procuras e não se rendeu
pelo meu Adeus que jamais te esqueceu!

Vida exovalhada nessa miseria
que em ti morre amargurada
faces deterioradas e efemoras
são o teu rosto faminto
do meu corpo ausentado do teu!

Mar compelido no vazio
do teu cruel mal amado olhar
que vagueiam na pobreza
mendigada na riqueza.

São noites, noites sem amanhecer
que marcam o teu pestanejar
caminho do fim que te viu vencer.


Ricardo Barnabé

Astro

Astro dourado e cintilante,
avassalado pela devastada solidão,
desabrocha-nos a sua luz dominante
que abraça ao nosso corpo na escuridão

Incandescente estrela que nos rodeia
em ti chispa todo o teu reflexo
como as brasas suspiradas pelo fogo
oscilado do teu invejado rastilho
que aos céus deixas o todo o seu brilho


Ricardo Barnabé

Assim nasce a poesia

São sentimentos estremecidos nos penumbrais
e emaranhados nos nossos ideais,
sobejam todos os meus presságios
que se vislumbram nos seus vinhais.

Enfezados nos seus olivais,
desencadeiam fortes emoções
tingidas por gentes e animais,
que em palavras fugirão jamais.

Seja amor ou dor da eternidade
rancor ou saudade em si encontrada
poetizamos toda sua enfermidade
numa escrita sentida e embriagada

Por fim vogais plantadas na desolação
juntando-se às consoantes transgressivas
formam-se versos aninhados à sua confusão
nascendo assim a poesia vinda do nosso coração!

Ricardo Barnabé

Grito da minha alma

Segura as minhas mãos vazias
que choram por te esperar
mas tão cheias de amor para te dar

Agarra as minhas palavras
distantes da minha boca
e perdidas de desejo brotado
da sombra do teu beijo.

Deixa que o sol ilumine o caminho
que te guia até ao meu coração,
Que eu deixarei que o vento
me leve junto a ti nos seus braços.

Pois é na noite ladeada
pelo meu naufragado pranto
que o teu corpo dá luz
à escuridão da minha alma
e silêncio o grito da sua dor

Ricardo Barnabé